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Carregador portátil para viagem: qual levar e como passar no avião

Equipe ComparaRápido de viagem · outubro de 2026

Os cinco

Celular sem bateria no meio da viagem custa caro: o mapa some, o cartão de embarque some, a corrida de volta fica sem chamar. Um carregador portátil, o power bank, resolve. Escolher é rápido. O cuidado maior está em outra parte: a regra do avião, que vale para os cinco.

Painel de embarque

  • Fim de semana, só com o celular: Geonav PB10K20W. São 172 g, tela com a porcentagem e duas portas de carga rápida.
  • Horas de ônibus ou de rodoviária, com iPhone: Geonav PB10MAG. Prende no celular pelo ímã e tem um pedestal para ver vídeo.
  • Bolso leve e iPhone com MagSafe: Gshield Titanium. O mais fino e o mais leve dos que prendem no celular, 175 g.
  • Trabalho na viagem, com notebook: Gshield Powerstation 45W. O único dos cinco com força para notebook que carrega pelo USB-C.
  • Viagem longa, dois celulares ou dias sem tomada: Geonav PB20K20W. O dobro da carga e ainda longe do limite do avião.

E o que nenhum deles pode: ir na mala despachada. Power bank viaja só na bagagem de mão.

Geonav PB10K20WGeonav PB10MAGGeonav PB20K20WGshield Powerstation 45WGshield Titanium
Carga10.000 mAh10.000 mAh20.000 mAh10.000 mAh10.000 mAh
Energia (Wh)37 Wh38,5 Wh77 Whnão informanão informa
Peso172 g208 g350 g206 g175 g
Maior saída por cabo20 W (USB-C)20 W (USB-C)20 W (USB-C)45 W (USB-C)perto de 20 W (USB-C)
Indução e ímãnãosim, até 15 Wnãonãosim, até 15 W
Portas de caboUSB-C e USB-AUSB-C e USB-AUSB-C e USB-AUSB-C e USB-Asó USB-C
Recarga do power bankcerca de 4 hcerca de 4 hcerca de 7 hnão informanão informa
Garantia1 ano1 ano1 ano3 meses + vitalícia co-participativa3 meses + vitalícia co-participativa
Preço em outubro de 2026sem preço em loja oficial neste mêsentre R$ 145 e R$ 165entre R$ 190 e R$ 205entre R$ 290 e R$ 300entre R$ 350 e R$ 360

Quem tem pressa pode parar aqui. Daqui para baixo, cada parte responde a uma dúvida de quem vai embarcar.

A regra do avião, em seis linhas

A regra de bateria no avião, no Brasil, está numa norma da ANAC, a IS nº 175-001. A versão em vigor é a revisão M, valendo desde 6 de abril de 2026. O que ela diz sobre carregador portátil cabe em seis linhas:

  1. Só na bagagem de mão. Power bank não pode ir na mala despachada.
  2. No máximo dois por passageiro.
  3. Até 100 Wh, pode. De 100 a 160 Wh, só com aprovação da empresa aérea. Os cinco desta página ficam abaixo de 100 Wh.
  4. Não pode ser recarregado a bordo. Nada de ligar o power bank na tomada da poltrona.
  5. A norma orienta não usá-lo para carregar o celular durante o voo. O texto diz “não deveriam”, e não “não podem”. Na prática, chegue ao avião com o celular carregado e deixe o power bank para depois do pouso.
  6. Cada um protegido contra curto. Vale a embalagem original, fita nos contatos ou um saquinho separado para cada um.

A própria ANAC lembra que a empresa aérea pode ser mais rígida do que a norma. Antes de um voo internacional ou de uma companhia que você não conhece, vale olhar a página de bagagem dela.

Por que tanta regra? A norma trata bateria de lítio como artigo perigoso, e o pedido de proteger os contatos existe para evitar curto-circuito dentro da bolsa.

A etiqueta: mAh não é a medida do avião

A caixa de todo power bank fala em mAh: 10.000, 20.000. A norma do avião fala em outra medida, o watt-hora (Wh). O watt-hora diz quanta energia cabe na bateria. O mAh sozinho não diz, porque depende da voltagem da célula.

A conta está na própria norma: a capacidade em ampere-hora vezes a voltagem nominal. Um exemplo com o Geonav PB10K20W. Os 10.000 mAh são 10 Ah. A Geonav declara 37 Wh, o que dá perto de 3,7 V por célula, número comum em bateria de lítio.

Os dois Gshield não imprimem o Wh na página. Pela mesma conta, um power bank de 10.000 mAh com células de lítio comuns fica perto dos 37 a 38,5 Wh que a Geonav declara nos seus. Isso é uma estimativa nossa, não um número da marca. O número que vale no aeroporto está na etiqueta do aparelho. Confira antes de sair de casa.

E os 20.000 mAh? É a dúvida mais comum, porque o número assusta. O Geonav PB20K20W tem 77 Wh, segundo a marca. Está abaixo dos 100 Wh. Passa sem pedir licença a ninguém.

Quantas cargas cabem de verdade

Aqui mora a maior decepção com power bank. Quem compra 10.000 mAh e tem um celular de bateria grande espera várias cargas completas. Não acontece. A Geonav diz o motivo no manual: a conversão é de pelo menos 65%.

Conversão é a parte da energia que sai pela porta e chega ao celular. O resto vira calor no caminho, entre a célula e o cabo. Num power bank de 37 Wh, pelo menos 24 Wh chegam ao aparelho. No de 77 Wh, pelo menos 50 Wh.

Por isso a própria marca promete pouco: até 2 cargas extras no de 10.000 mAh e até 4 no de 20.000 mAh. “Até” quer dizer que depende do celular. Um aparelho de bateria menor ganha mais cargas; um de bateria grande, menos.

O que fazer com isso? Escolha pelo que você precisa somar num dia longe da tomada, não pelo número da caixa. Para chegar ao fim de um dia de passeio com folga, 10.000 mAh bastam. Para dois dias sem tomada, ou dois celulares, o de 20.000.

O peso na mochila

A diferença entre o mais leve e o mais pesado é de 178 g. Parece pouco. No bolso da calça, não é.

O Geonav PB10K20W pesa 172 g e o Gshield Titanium, 175 g. Os dois cabem no bolso sem puxar a calça. O Powerstation pesa 206 g e o PB10MAG, 208 g: vão bem numa bolsa pequena. O PB20K20W pesa 350 g, o dobro do básico, e tem 28 mm de espessura. Esse é de mochila.

O formato também conta. O Titanium tem 1,5 cm de espessura e prende atrás do celular. O Powerstation é comprido e estreito, 116 por 48 mm, mais parecido com um bastão. Os três Geonav têm a mesma frente, 109 por 68 mm, e mudam na grossura.

As portas: 18, 20 e 45 watts

Watt (W) é a força com que a porta empurra energia para o aparelho. Quanto mais watts o celular aceita, mais rápido ele carrega, até o limite do próprio celular.

Quatro dos cinco têm uma porta USB-C de até 20 W. É a chamada carga rápida por Power Delivery (PD), o padrão que a maioria dos celulares novos usa no USB-C. A Geonav informa que meia hora de carga chega a 50% num celular compatível. Os três Geonav têm também uma porta USB-A de até 18 W, a porta retangular antiga, boa para fone e relógio.

O Powerstation é o diferente. A porta USB-C dele chega a 45 W: 20 V e 2,25 A. Com isso, carrega notebook que aceita carga pelo USB-C. A Gshield cita MacBook e notebook Dell com essa porta. Notebook com carregador de pino redondo não serve.

O Titanium não tem USB-A. Para cabo, só a porta USB-C, de perto de 20 W.

Duas portas ao mesmo tempo

Quem viaja a dois costuma ligar os dois celulares juntos no mesmo power bank. Funciona, mas a força cai.

Nos Geonav PB10K20W e PB20K20W, quando as duas portas trabalham juntas, cada uma entrega 10 W. É metade da carga rápida. No PB10MAG, com duas ou três saídas em uso, os 15 W totais se dividem entre elas.

A conta prática: um celular de cada vez, no USB-C, carrega rápido. Dois juntos carregam devagar. Se a pressa é sua, alterne.

Ímã e indução

Dois dos cinco carregam sem cabo, por indução: o Geonav PB10MAG e o Gshield Titanium. Indução é a carga por contato, com o celular encostado na peça. Os dois usam o padrão Qi, o mesmo das bases de mesa, e chegam a 15 W.

O ímã é o que segura o power bank grudado atrás do celular. Ele foi feito para o MagSafe, o sistema de ímãs dos iPhone a partir do 12. A Geonav lista compatibilidade do iPhone 12 ao 15. No Android, a carga por indução funciona em quem tem Qi, mas o ímã só prende com uma capa ou um anel próprio.

A diferença entre os dois está no resto. O PB10MAG tem pedestal dobrável, USB-C e USB-A. O Titanium é de alumínio, mais fino e mais leve, mas só tem a porta USB-C. E custa mais que o dobro.

Um lembrete da regra do avião: o pedestal do PB10MAG serve para ver vídeo com o celular de pé. No voo, a norma orienta não usar o power bank para carregar. No ônibus, na rodoviária e no quarto do hotel, nenhuma regra impede.

Um grande ou dois pequenos?

A norma deixa levar dois. Então vale a pergunta: um Geonav de 20.000 mAh ou dois de 10.000?

No peso, empata. Dois PB10K20W somam 344 g; um PB20K20W pesa 350 g. Na energia também: 74 Wh contra 77 Wh.

A diferença está no uso. Com dois, cada pessoa do casal carrega o seu celular na porta USB-C, a 20 W cada. Com um só, os dois celulares dividem o aparelho e caem para 10 W cada. Na volta ao hotel, os dois pequenos enchem em cerca de 4 horas, se houver duas tomadas; o grande pede cerca de 7.

O ponto contra: dois aparelhos já usam todo o limite da ANAC por passageiro. Se você leva também o Powerstation para o notebook, um dos dois fica em casa.

Recarregar o próprio power bank

O power bank também precisa de tomada. E isso entra na conta da viagem, porque a noite no hotel tem hora certa.

Os Geonav de 10.000 mAh levam cerca de 4 horas para encher, com entrada de até 18 W. O de 20.000 mAh leva cerca de 7 horas. Se você chega tarde e sai cedo, o grandão pode não encher numa noite.

Os três Geonav têm pass-through: carregam o celular enquanto eles próprios estão ligados na tomada. Útil em quarto com uma tomada só.

O Powerstation recebe até 45 W pela mesma porta USB-C, mas a Gshield não diz quanto tempo leva. O Titanium recebe até 18 W, também sem tempo informado. Um detalhe que pesa na mala: o Titanium vem com cabo, mas sem fonte de parede. Leve a sua.

Garantia

Aqui as duas marcas vão por caminhos diferentes.

Os três Geonav têm 1 ano de garantia. Os dois Gshield têm 3 meses, mais o que a marca chama de garantia vitalícia co-participativa: depois dos 3 meses, a troca existe, mas você paga uma parte. A página não diz quanto.

Bateria de lítio perde força com o uso. A Geonav informa cerca de 300 ciclos de carga nos seus. Ciclo é uma carga completa, de vazio a cheio. Quem usa todo dia gasta isso em menos de um ano. Quem usa só em viagem leva muito mais tempo.

O que as páginas não dizem

Nem tudo está publicado, e é melhor saber antes de comprar.

  • Wh dos Gshield. Nenhum dos dois traz o número na página. Para o avião, olhe a etiqueta.
  • Tempo de recarga dos Gshield. Também não aparece.
  • iPhone depois do 15. A Geonav lista compatibilidade do ímã até o 15.
  • Potência do Titanium. A página fala em até 15 W e, nas dúvidas, em USB-C de até 20 W. As duas coisas cabem: 15 W é a indução; 20 W, o cabo.
  • O Geonav PB10K20W cinza. Neste mês, não o achamos à venda em loja oficial com esse código. Por isso a tabela não traz preço.

Nenhuma dessas faltas quer dizer que o recurso não existe. Quer dizer só que a marca não escreveu.

Antes de sair para o aeroporto

  • Power bank na mochila de mão, nunca na mala.
  • No máximo dois por pessoa.
  • Cada um na caixa, num saquinho ou com fita nos contatos.
  • Celular carregado antes do embarque.
  • Power bank cheio na noite anterior, contando 4 horas, ou 7 para o de 20.000 mAh.
  • A fonte de parede na mala, se o seu power bank não traz uma.

Com isso, a bateria vira a última das suas preocupações na viagem.

Equipe ComparaRápido de viagem

De onde vem a regra do avião

ANAC, IS nº 175-001, Revisão M (Portaria nº 21/SPO, de 1º/04/2026; em vigor desde 06/04/2026; retificada no DOU de 22/05/2026), Tabela H-1, item 1, alíneas b, c, e, i, e Nota 1.

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